Estudos epidemiológicos

Recomenda-se a leitura do ponto Metodologias de Estudo para uma melhor compreensão dos principais resultados, apresentados abaixo, dos estudos epidemiológicos sobre as relações entre o consumo de bebidas açucaradas e o ganho de peso.

Vários estudos observacionais reportam uma associação positiva entre o consumo de bebidas açucaradas e o ganho de peso, mas outros estudos não encontraram esta associação (Gibson and Neate, 2007; Johnson et al, 2007; Newby et al, 2004; Sun and Empie,2007).

Note-se que “associação” não é o mesmo que “causalidade” e que os estudos observacionais apenas permitem a geração de hipóteses (a partir das associações encontradas), mas não permitem a demonstração de relações de causa-efeito.
Nos estudos observacionais, os efeitos do consumo de bebidas açucaradas têm sido pouco evidentes em populações com baixo consumo e a relação dose-resposta tem sido pouco consistente. São evidências relevantes porque consumo em Portugal é bastante inferior ao dos USA, país ao qual se refere a enorme maioria dos estudos publicados.

Os efeitos do consumo de bebidas açucaradas também têm sido pouco evidentes em crianças. Por ter sido realizado em Portugal, com 1.700 crianças de escolas do Porto, realçamos o estudo transversal de Valente et al, 2010, no qual não foi observada associação entre o consumo de bebidas açucaradas e o excesso de peso.

Têm sido realizados estudos de intervenção, tipo Randomized Control Trial, para determinar os efeitos do consumo mandatório de bebidas açucaradas sobre o ganho de peso. Estes estudos sugerem que o consumo mandatório de bebidas açucaradas tem como efeito um ganho de peso e que para doses maiores o ganho de peso tende a ser maior.

Deve ter-se em conta que os estudos tiveram durações curtas, amostras de pequena dimensão e exigiram o consumo de doses superiores aos níveis de consumo habituais dos participantes. A confiança nas conclusões é relativamente baixa, mas a evidência aponta no sentido de que exigir um consumo adicional de energia na forma de bebidas açucaradas leva ao aumento do peso.

Estes estudos são pouco interessantes na perspectiva das recomendações de saúde pública ou clínicas, uma vez que não está em cima da mesa a eventual recomendação de aumento do consumo de bebidas açucaradas (no âmbito de programas de controlo do peso). Aliás, tendo aos grupos de controlo sido exigido o consumo de bebidas com adição de adoçantes não calóricos, a haver uma recomendação esta deveria ser o consumo destas bebidas em substituição das açucaradas.

Outros estudos tipo Randomized Control Trial têm sido realizados com o objectivo de determinar se intervenções educacionais conseguem reduzir o consumo de bebidas açucaradas, tendo como resultado secundário a alteração de índices de adiposidade. Em nenhum destes estudos a intervenção resultou numa diferença significativa entre a alteração dos IMC nos grupos intervencionados e nos grupos de controlo (Albala et al, 2008; Ebbeling et al, 2006; James et al, 2004; James et al, 2007; Munoz, 2006; Sichieri et al, 2009). A meta-análise destes estudos chega à mesma conclusão (Mattes et al, 2011), ou seja, a redução do consumo de bebidas açucaradas não parece ter como consequência a redução do IMC.



Fontes:

  • Albala C, Ebbeling CB, Cifuentes M, Lera L, Bustos N, Ludwig DS. Effects of replacing the habitual consumption of sugar-sweetened beverages with milk in ▪ Chilean children. Am J Clin Nutr 2008; 88: 605–611.
  • Ebbeling CB, Feldman HA, Osganian SK, Chomitz VR, Ellenbogen SJ, Ludwig DS. Effects of decreasing sugar-sweetened beverage consumption on body weight in adolescents: a randomized, controlled pilot study. Pediatrics 2006; 117: 673–680.
  • Gibson S, Neate D. Sugar intake, soft drink consumption and body weight among British children: further analysis of National Diet and Nutrition Survey data with adjustment for under-reporting and physical activity. Int J Food Sci Nutr 2007; 58: 445–460.
  • James J, Thomas P, Cavan D, Kerr D. Preventing childhood obesity by reducing consumption of carbonated drinks: cluster randomised controlled trial. BMJ 2004; 328: 1237.
  • James J, Thomas P, Kerr D. Preventing childhood obesity: two year follow-up results from the Christchurch obesity prevention programme in schools (CHOPPS). BMJ 2007; 335: 762.
  • Johnson L, Mander AP, Jones LR, Emmett PM, Jebb SA. Is sugar-sweetened beverage consumption associated with increased fatness in children? Nutrition 2007; 23: 557–563.
  • Mattes RD, Shikany JM, Kaiser KA, Allison DB. Nutritively sweetened beverage consumption and body weight: a systematic review and meta-analysis of randomized experiments. Obes Rev 2011; 12(5): 346-65.
  • Munoz D. The efficacy of two brief interventions to reduce soda consumption in a college population (Doctoral Dissertation). State University of New York: Albany, NY, 2006.
  • Newby PK, Peterson KE, Berkey CS, Leppert J, Willett WC, Colditz GA. Beverage consumption is not associated with changes in weight and body mass index among low-income preschool children in North Dakota. J AmDiet Assoc 2004; 104: 1086–1094.
  • Sichieri R, Paula TA, de Souza RA, Veiga GV. School randomized trial on prevention of excessive weight gain by discouraging students from drinking sodas. Public Health Nutr 2009; 12: 197–202.
  • Sun SZ, Empie MW. Lack of findings for the association between obesity risk and usual sugar-sweetened beverage consumption in adults – a primary analysis of databases of CSFII-1989-1991, CSFII-1994-1998, NHANES III, and combined NHANES 1999–2002. Food Chem Toxicol 2007; 45: 1523–1536.
  • Valente H, Teixeira V, Padrão P, Bessa M, Cordeiro T, Moreira A, Mitchell V, Lopes C, Mota J, Moreira P. Sugar-sweetened beverage intake and overweight in children from a Mediterranean country. Public Health Nutrition 2010; 14(1): 127–132.

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