Os refrigerantes e a obesidade

As principais proposições em discussão no tema das relações entre a dieta e a obesidade são se (1) o consumo de uma dada categoria de alimento ou bebida contribui significativamente para o desenvolvimento do excesso de peso, e (2) a redução do consumo de uma dada categoria de alimento ou bebida conduz à perda de peso.

A evidência obtida através de muitos tipos de estudos deve ser analisada conjuntamente para demonstrar as relações de causa-efeito expressas nas proposições acima. A maioria dos estudos realizados sobre as relações entre o consumo de bebidas açucaradas e a obesidade tem apenas capacidade para encontrar associações, mas não para estabelecer relações causa-efeito (ver Metodologias de Estudo).

Há pouca evidência epidemiológica de que as bebidas açucaradas sejam mais obesogénicas do que qualquer outra fonte de calorias (ver Estudos Epidemiológicos). Qualquer consumo de energia per se, de alimentos ou bebidas, tem o potencial para contribuir para balanços energéticos positivos, mas não está demonstrado que algum nutriente ou categoria de alimento ou bebida seja responsável pelos níveis crescentes de excesso de peso na população.

Há alguma evidência de que um consumo elevado de bebidas açucaradas pode contribuir para o ganho de peso. Contudo, como afirmado pela European Food Safety Authority, a evidência disponível é insuficiente para definir um limite superior de ingestão de açúcares, com base nos seus efeitos no peso.

Para a proposição de que a redução do consumo de bebidas açucaradas conduz à perda de peso, o conjunto da evidência relevante parece sugestivo. No entanto, em nenhum dos estudos Randomized Control Trial (os de maior valor para estabelecer relações de causa-efeito) a intervenção para reduzir o consumo de bebidas açucaradas teve como consequência uma redução significativa do Índice de Massa Corporal (IMC).

Resumindo, a evidência actualmente disponível não demonstra de forma conclusiva que o consumo de bebidas açucaradas tenha contribuído de forma distintiva para a epidemia da obesidade, nem que uma redução do consumo de bebidas açucaradas reduzirá o IMC.

No tema das bebidas açucaradas e da obesidade são necessários mais RCT, com intervenções de maior duração e com melhor controlo dos consumos, para conseguir estabelecer com confiança se a redução do consumo de bebidas açucaradas trás algum benefício para o controlo do peso.

Com base na evidência actual, não há justificação para recomendar de forma discriminatória limitações ao consumo de bebidas açucaradas.

Apesar da evidência disponível não implicar as bebidas açucaradas nas elevadas prevalências do excesso de peso e da obesidade em Portugal, o sector tomou um conjunto de medidas destinadas a facilitar a adopção de dietas equilibradas e a não interferir com a educação alimentar das crianças (ver Responsabilidade Social / Saúde e Estilos de Vida).

No que se refere à obesidade infantil, é aplicável a discussão da evidência exposta acima, ou seja, não há evidência de que as bebidas açucaradas tenham um papel na obesidade infantil.

A este respeito é importante referir a enorme alteração dos estilos de vida das crianças nas últimas décadas, com a falta de tempo dos pais, a insegurança fora dos lares e o abuso da TV, de jogos electrónicos e da internet / redes sociais, que, em conjunto com a grande disponibilidade de alimentos e bebidas, tem resultado em dispêndios de energia inferiores à energia ingerida.

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